A modalidade tarifária horo-sazonal (THS) é um conjunto de tarifas aplicadas para o consumo de energia e demanda contratada para clientes do grupo A.
Esse grupo, geralmente, é atendido por uma subestação com tensão mais elevada e com grande consumo de energia, como indústrias, comércios e condomínios de grande porte.
Os preços de sua tarifa são diferenciados, conforme o horário em que a energia é consumida (horário de ponta e horário fora de ponta), e conforme a sazonalidade anual referente ao período chuvoso. Ou seja, com tarifas também diferentes para períodos úmidos e secos durante o ano.
As tarifas são diferenciadas em decorrência de seu custo de geração, sendo que a energia consumida no horário de pico é mais cara.
Sendo assim, essa modalidade tende a desestimular o consumo de energia da concessionária em horários em que a demanda é maior, considerado como horário de ponta (HP).
Para esclarecer melhor esse assunto, convidamos o engenheiro eletricista Fábio Nicolau Teixeira a participar deste post.
Proprietário da empresa Enerview Engenharia em Sistemas de Energia, Fábio é graduado em engenharia elétrica e especialista em planejamento energético, atuando com consultoria energética. Agora, ele trará para você, leitor, seis aspectos importantes sobre o tema. Acompanhe!
Também conhecida como THS, essa tarifa é classificada em: THS verde, THS azul e THS branca. São tarifas que dependem da variação horária e da sazonalidade durante o ano.
Considera-se a variação horária porque existe o horário de ponta (normalmente vai das 17 h às 20 h), que possui maior demanda de energia elétrica, e, por consequência tem um preço de geração muito maior, também e o horário fora de ponta, que pode variar de acordo com a concessionária de energia elétrica.
Nesse contexto, a tarifa branca é composta por valores diferenciados no uso energia, de acordo com as suas horas de consumo durante o dia.
Essa tarifa é oferecida exclusivamente para as unidades atendidas em baixa tensão, como pequenos comércios e residências.
Uma unidade consumidora, quando é atendida por uma subestação, onde seu consumo e demanda não podem mais serem atendidas na baixa tensão, têm seu fornecimento de energia regido através de um Contrato de Fornecimento.
Neste contrato faz-se a opção entre duas Modalidades Tarifárias: THS-Verde ou THS-Azul. Ambas possuem horário de ponta.
Para a THS-Verde paga-se tarifas diferenciadas para Demanda, consumo na ponta e consumo fora de ponta. Para a THS-Azul é considerada ainda dois valores distintos de demanda contratada, ponta e fora de ponta.
A escolha e determinação de qual será a melhor modalidade tarifária dependerá da funcionalidade e operação produtiva da unidade. Pois a energia consumida no horário de ponta, para o caso da THS-Verde chega a ser pouco mais de quatro vezes o custo da energia no horário fora de ponta.
O engenheiro eletricista Fábio, nosso entrevistado, afirma que existem várias formas de se calcular a melhor modalidade tarifária, THS-Verde ou THS-Azul, utilizando de alguns indicativos de eficiência energética para se estabelecer a curva de carga da unidade consumidora.
Um desses indicativos de eficiência energética é o índice de modulação, que nada mais é do que uma relação da quantidade de energia consumida no horário de ponta e fora dele, em virtude da demanda contratada.
Outro pode ser através do fator de carga e, a partir dessa relação, é possível fazer a simulação na fatura de energia para verificar qual é a melhor modalidade: THS azul ou verde.
A diferença entre as tarifas é que, na azul, o cliente contrata uma demanda no horário de ponta e paga a energia, correspondente a essa hora, um pouco mais barata.
Em contrapartida, é preciso pagar a demanda também no horário de ponta. Isso se torna viável quando se tem um alto índice de modulação, ou seja, um grande consumo de energia dentro do horário de ponta. Isso cabe, geralmente, a empresas que possuem uma produção e consumo de energia inalterada durante todo o dia.
Por outro lado, quem trabalha com a geração distribuída no horário de ponta por meio de um gerador a diesel, o ideal é optar pela THS verde. Isso porque essa tarifa exige um contrato específico, no qual se pactua a demanda pretendida do consumidor (demanda contratada), independentemente da hora do dia (ponta ou fora de ponta). Ou seja, demanda única.
A THS foi implementada porque, no Brasil, durante o ano, há cinco meses de período úmido e sete meses de período seco. No período seco, a energia elétrica é mais cara, devido ao fato de que, hoje, grande parte da geração de energia vem de usinas hidrelétricas.
Sendo assim, algumas mudanças que afetam os recursos hídricos e fatores climáticos em geral podem acarretar mudanças na curva de geração de energia. Isso porque, quando o nível de água nas usinas é escasso, as termelétricas passam a ser ativadas, com o intuito de suprir a demanda. No entanto, os custos operacionais desse processo são mais caros.
É por isso que passaram a vigorar as famosas bandeiras: amarela, verde e vermelha. Quando os reservatórios estão com a quantidade de água dentro da normalidade, o consumidor paga a bandeira verde.
Já um período de racionamento indica bandeira amarela, enquanto situações críticas demandam a aplicação da bandeira vermelha, que possui dois patamares com acréscimos crescentes no valor da energia consumida.
No que diz respeito ao consumo de energia no horário de ponta, é fato que, nesse período, a curva de carga é maior, representando um maior consumo de energia.
Isso se dá pois, nesse período, entra em operação a iluminação pública, aumenta o número de pessoas saindo do trabalho e há um crescimento significativo no consumo das residências (banhos, acionamento da iluminação, aparelhos eletrônicos, etc).
Ou seja, nesse horário, a demanda por energia é muito alta e, para suprir essa carga, é necessário que algumas usinas operem em capacidade máxima, ou que outras sejam acionadas. São, geralmente, as térmicas que possuem um custo operacional maior.
A partir dessas informações, é possível perceber que, de acordo com tarifa horo-sazonal, o horário de ponta é mais caro porque no intervalo entre 17 h e 20 h o consumo de energia elétrica é muito maior que nos horários fora de ponta.
Fábio explica que muitas empresas não podem parar a produção durante o horário de ponta, que representa cerca três horas por dia durante os dias úteis de cada mês. Isso dá um total de, aproximadamente, 66 horas no mês, que podem chegar a levar até 50% do valor da conta de energia de uma indústria. Isto porque a energia no horário de ponta é pouco mais de quatro vezes o custo da energia no horário fora de ponta.
Diante desse problema, é necessário que as empresas encontrem alternativas no mercado que possibilitem a substituição da energia da concessionária durante o horário de ponta.
Assim, poderão ter uma redução no valor da conta de energia ou, pelo menos, manter a linha de produção em operação sem impactar no custo final do produto, uma vez que, em termos de energia elétrica, o custo de um produto produzido no horário de ponta chega a ser pouco mais de quatro vezes o seu custo durante o horário fora de ponta.
Há empresas que têm seu produto final encarecido em virtude do que é produzido no horário de ponta, mas que não podem simplesmente parar a produção neste intervalo. Isso acontece, por exemplo, em empresas com auto-fornos, algumas indústrias do setor de plástico etc.
Com o alto nível do consumo de energia nas indústrias, a conscientização e a otimização do seu uso passam a ser uma prioridade cada vez mais evidente no dia a dia de profissionais e ambientalistas.
Porém, mesmo com a aplicação de estudos de otimização e eficiência energética, o custo específico de energia, em alguns casos, ainda fica muito alto, dificultando a concorrência. Neste mercado hostil, ganha mais aquele que consegue gastar menos, mantendo a mesma qualidade.
O gerador é uma boa indicação para quem precisa economizar, já que substitui a energia da concessionária por outra mais barata.
O cenário atual é favorável pois, recentemente, tivemos uma redução no preço do diesel e um aumento significativo nas tarifas de energia, principalmente da energia no horário de ponta, que chega a custar R$ 2,1964 por kWh.
Um gerador a diesel pode gerar essa mesma energia a um custo bem inferior, de até R$ 1,1526 por kWh, o que proporciona uma economia de pouco mais de R$ 1,00 por kWh.
Veja outro exemplo: uma empresa que consome 12 mil kW/h no horário de ponta tem possibilidade de economizar cerca de R$ 12.000,00 por mês, se colocar o gerador para funcionar apenas no horário de ponta.
Com a recente mudança de cenário no mercado — decorrente da paralisação dos caminhoneiros —, na qual o diesel teve redução de preço e a energia elétrica sofreu um reajuste de 22% em média, o gerador pode representar uma opção ainda mais viável do ponto de vista econômico. Afinal, com o seu uso, o retorno financeiro se torna maior.
Para finalizar, o engenheiro e especialista em consultoria energética Fábio Nicolau Teixeira ressalta a importância das auditorias energéticas para eliminar o desperdício e otimizar o consumo de energia nos processos industriais e comerciais. Esse tipo de exame/avaliação é bastante útil para as empresas que buscam maneiras de economizar sem afetar o nível de produtividade e qualidade.
Em muitos casos, a substituição da energia da concessionária pela energia produzida por um gerador a diesel no horário de ponta pode proporcionar economia de 15 até 30% na fatura.
E então, conseguimos tirar suas dúvidas sobre a tarifa horo-sazonal e seu impacto nas empresas e indústrias? Aproveite o espaço dos comentários para deixar sua opinião sobre o assunto!
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.